5 de fev de 2010

Em Goiânia: Relatório do Ato Público de Solidariedade pela Vida dos Bahá’ís Presos no Irã






Aconteceu no dia 04 de fevereiro de 2010 no Auditório da Assessoria Especial de Políticas para Igualdade Racial ASPPIR no prédio do PROCON Municipal de Goiânia, um Ato Público de Solidariedade pela Vida dos Bahá’ís Presos no Irã, coordenado pelo Grupo de Trabalho pela Paz da Prefeitura de Goiânia. O ato foi coordenado pelo grupo após o assessor da ASPPIR Sr. José Eduardo da Silva ter tido conhecimento na última terça-feira dia 02/02, sobre a questão do julgamento dos sete bahá’ís presos no Irã através da Sra. Catarina Cavalcante de Jesus, representante da Secretaria de Ações com a Sociedade e do Governo da Comunidade Bahá’í do Brasil em Goiânia e faz parte do GT da Paz Municipal.

Ela lhe contou sobre as duas ações que aconteceriam em São Paulo e Brasília simultaneamente, e ele propôs que fossem e cinco pessoas para Brasília em solidariedade aos bahais do Irã. Catarina lhe propôs que ele ficasse a vontade para fazer esta mesma ação em Goiânia, José Eduardo que há muito tempo é amigo dos bahá’ís da comunidade de Goiânia muito emocionado e consternado pela situação dos bahais no Irã prontamente tomou a iniciativa de coordenar em parceria com todas as instituições ligadas a Assessoria Especial de Políticas para Igualdade Racial, sendo que a coordenação seria feita pelos membros do GT da Paz, assim foi uma corrida sem tréguas para que tudo acontecesse a tempo em menos de dois dias. Imaginem as estratégias usadas para conseguir envolver todas as instituições e pessoas citadas abaixo no evento.

A história da prisão e do julgamento dos bahá’ís no Irã comoveu a todos que na grande maioria nunca tinham ouvido falar da Fé e nem da perseguição as bahá’ís. Durante os dias da organização do evento, muitas pessoas comovidas pelo caso diziam que se arrepiavam todas ao negociarem a organização do evento por via telefone ou e-mails, por estarem envolvidos em uma ação de amor ao próximo por tamanha barbárie e atrocidades existentes nos dias atuais. Só víamos pessoas de credos diferentes, sentados ao computados, ou ao telefone convidando pessoas e instituições e preparando uma riqueza de documentos para ajudar na libertação dos sete bahá’ís presos condenados ao julgamento no próximo dia 07 de fevereiro. Uma carta oficial e convite com a foto destes bahá’ís começou a circular via e-mail para centenas de pessoas, em Goiânia, Goiás, Brasil e internacionalmente, segundo o depoimento de uma representante de uma instituição Maria Retalho apoiadora do evento, disse que o Sacerdote da Religião Tradicional africana de IFÁ Sr. Awofa Ifakemi enviou em seus sites, a carta e o convite em sua lista de contatos a nível internacional.

A coordenação do GT da Paz pediu que eu preparasse um ambiente dentro dos princípios bahá’ís, com símbolos, livros e folhetos e com um momento especial de espiritualidade segundo a tradição da Fé, para que as pessoas que não conheciam fé e o caso da perseguição aos bahá’ís, pudessem conhecer melhor sobre o assunto e se familiarizarem com a ação e para que a mesma tivesse um efeito positivo na libertação e na vida dos bahá’ís presos.

Assim preparei a mesa central, com um forro florido, um jarro iraniano feito de pedrarias, uma vela perfumada acesa, cercada de flores diversas representando a diversidade humana, incenso, sete rosas vermelhas foram colocadas no jarro representando cada um daqueles sete bahá’ís. Livros sobre a “Questão Bahá’í A Humanidade Ferida do Deputado Paulo Delgado. Vários quadros com simbolismos dos princípios bahá’ís foram,expostos no ambiente, para que as pessoas pudessem defender uma causa que conhecessem e soubessem porquê os bahá’ís estavam presos.Injustamente! Desde o momento da preparação do ambiente pessoas ligadas a outras atividades da prefeitura se dispuseram a organizar o auditório e questionava o tempo todo o porquê destes bahá’ís estarem presos e ficavam indignados com esta atitude, pois os mandamento da Bíblia diz: “Amai-vos uns aos outros”. Preparei três músicas das invocações sagradas em língua persa que foram tocadas em vários momentos, desde antes de começar o evento, para que o ambiente ficasse com um clima sagrado, as músicas foram, Alahoma, Yá Bahá'u'l-Abhá, Yá Bahá'u'lláh.

Iniciamos a reunião com boas vindas pela coordenação do GT da Paz, Srta. Joelma Cristina Gomes, Chefe de Gabinete e do Assessor da ASPPIR Sr. José Eduardo falou da importância da caminhada em prol da defesa dos Direitos Humanos e deste ato de humanidade em favor dos bahá’ís do Irã.

A palavra foi passada para Sra. Catarina Cavalcante de Jesus e Dona Zia Pehzeskzad que falaram sobre a Fe Baha’i que para a humanidade uma nova consciência sobre a igualdade de direitos entre homens e mulheres; busca pela verdade; eliminação de todas as formas de preconceitos; investigação independente da Verdade; resolução espiritual dos problemas econômicos; Bahá’u’lláh (Glória de Deus), bahá’ís (seguidores da Gloria); fez uma entoação sagrada com cântico Yá Bahá'u'l-Abhá, logo após apresentou dona Zia que veio do Irã para Brasil – Goiás- Goiânia, falou sobre o mundo como uma família, pois somos filhos do mesmo Deus; falou da necessidade do não preconceito, trabalhar pela paz mundial, falta amor no mundo, primavera de mundo alcançamos a paz quando damos valor a mulher, nosso futuro através de mãe inteligente e mais paz no mundo.

Dr. Alexandre Prudente Marques, Presidente da Comissão de Direitos Humanos OAB-Goias, disse ainda temos países que a protesto de questões religiosas ainda se pratica perseguições desumanas e que em outros países e mesmo no Brasília há perseguições e discriminações diversas a grupos minoritários, muito emocionado, ele disse conhecer o caso dos bahá’ís dom Irã através de um processo que está na Comissão de direito humanos da OAB de Goiânia, que o processo tramita na comissão e foi à defesa dos bahá’ís foi aprovado por unanimidade dentro da comissão.

Dra. Gildeneide dos Passos Freire, Conselheira do Parlamento Mundial da Paz, membro da comissão de Direitos Humanos da OAB de Goiânia, delineia sobre seu conhecimento da perseguição, aos bahá’ís do Irã desde a época que o processo com uma petição foi encaminhada para a OAB. Ela acompanha e estuda esta questão desde o ano de 2007, quando lhe foi apresentada a história sobre a questão bahá’is do Irã. Falou sobre os 57000 Bahá’ís estabelecidos no Brasil, disse não estar falando de uma religião em si mais sim da liberdade de expressão e direito de escolha pessoal de uma religião e que mesmo com a convenção dos Direitos Humanos ainda milhares de Judeus foram assassinados, falou sobre os horrores do Holocausto.

Continuou a falar das terríveis perseguições inaceitáveis aos bahá’ís do Irã, sobre a destruição dos lugares sagrados e símbolos da fé, que são a identificação de um povo e de uma comunidade. Mostrou ainda a perseguição as minorias de diversos seguimentos na sociedade humana onde seus direitos são desrespeitados, sua indignação também foi principalmente por ver ali naquele grupo dos sete bahá’ís duas mulheres condenadas a julgamento por sua escolha de fé. Falou sobre a necessidade de respeito e de tolerância e que a tolerância pressupõe a aceitação do outro como ele é, leu a resenha que fez de livros e de seus escritores.Sua fala emocionante contagiou a todos e disse; não podemos aceitar nenhuma espécie de discriminação, chega de perseguição aos diferentes e as minorias.

Na ocasião ela leu uma carta que redigiu, para que as instituições presentes no ato público de solidariedade pela vida aos bahá’ís presos no Irã pudessem assiná-la enviar para a Comissão de Direitos Humanos para que seja anexada ao processo que tramita ali e para todos os contatos pessoais e de todas as instituições coordenadoras e apoiadoras desta ação. Chamada de “Carta de Repúdio à perseguição, sob todas as formas, aos Baháís do Irã.”

Dr. Aluísio Gurgel Acosta, advogado em causas cíveis e criminais, contextualizou o que estava ocorrendo ali naquele momento em relação aos Bahais presos no Irã, estava ocorrendo em várias cidades do Brasil, no dia de hoje, manifestações de repúdio ao julgamento dos Bahais no Irã, estas questões implicam em questões de etnia, falou sobre o principio da UNIDADE, Disse que os Bahais estavam ali para discernir sobre o pensamento religioso o que foi revelado nos livros sagrados.

Falou sobre os abusos que são cometidos por governos, dizendo-se que esta é a vontade de Deus, que as diferenças são criadas pela mente humana e não por Deus, matéria prima que nos leva a crer, que é o impulso pela fé. Que o homem precisa crer que a vida será boa, será melhor; a religião é um fenômeno para se chegar a crer na existência de uma vida melhor após esta. A religião é o melhor canal para se levar ao impulso da discriminação, da necessidade de transcender, é o que busca um jovem quando usa drogas, pois há falta de ideologia no mundo. Portanto tem uma necessidade de crer, procuramos a transcendência, é uma característica inerente ao ser humano.

Srta. Joelma Cristina Gomes– fez a apresentação das entidades que coordenaram e que apoiaram e assinaram uma lista de assinatura de Apoio a Defesa e Libertação dos Bahá’ís Presos no Irã deste ato público de solidariedade e deu oportunidade de dois minutos para que os representantes de algumas instituições pudessem falar sobre seu sentimento.

Fizeram uso da Palavra de encerramento: Dra. Genivalda Cravo –Representante da URI- Nacional e membro fundadora da URI-Goiás (lembrou que as matrizes africanas no Brasil, também são discriminados em nosso pais; Sra. Isabel Cristina (Secretaria Regional de Igualdade Racial do Partido dos Trabalhadores – Goiás) propôs a realização de um grande Ato contra a intolerância Religiosa; Valkíria Fernandes(Comunidade Herdeiros de Ifá – Culto Africano) Cicatriz ser mulher, ser negra, ser de religiões não tradicionais, etc; Lucia Helena (CONEN – Coordenação de Entidades Negras): disse que o Cônsul disse que o que está acontecendo no Haiti é por causa de macumba...; Dona Vera Balbino (associação das mulheres surdas) falou da necessidade de tradutor Libras nas reuniões.

Dois fatos me chamou muito a atenção.

Ao organizar o auditório para a reunião, com a ajuda de pessoas voluntárias , a Sra. Valkíria Fernandes de Carvalho Representante da Nação Maria Retalho,estava conversando com uma amiga e ao me aproximar me perguntou se o vaso que eu havia colocado na mesa com símbolos místicos da Fé era para uso de cerimônia sagrada na Fé Bahá’í, eu disse que não; era simplesmente uma peça feita à mão, uma arte da cultura iraniana daquele país e que Dona Zia havia emprestado para o evento. Ela nos disse então que estava impressionada com um fato que lhe aconteceu. Que por curiosidade de conhecer de perto o simbolismos ali expostos ela se aproximou do vaso que continha sete rosas vermelhas simbolizando os sete bahá’ís presos, ela colocou a mão no vaso e no momento ela sentiu seu corpo se arrepiar da cabeça aos pés, e que ela só de nos contar estava se arrepiando todinha o tempo todo, e que ela sentia que ela tinha uma ligação muito forte com o Irã e com aquele momento que ela estava vivenciando, como se fosse um filme que passava em sua mente mas ela não conseguia entender. Eu disse para ela que para mim isto era positivo em relação a nossa ação em defesa dos bahá’ís do Irã.

No final da reunião, ela me questionou novamente sobre os princípios da Fé Bahá’í, de suas leis se existia leis, sobre a espiritualidade e como eram realizadas nossas reuniões se havia um líder na comunidade, eu lhe expliquei rapidamente como era. Eu lhe disse que enviaria materiais para que ela estudasse esse inteirasse sobre a história da Fé e seus princípios, ela agradeceu, me pediu que eu para ela as três músicas das invocações sagradas em língua persa que foram tocadas em vários momentos do evento, Alahoma, Yá Bahá'u'l-Abhá, Yá Bahá'u'lláh.

Outro fato hoje pela manhã ao conversar via telefone com o Sr. Carlos César Cunha – Secretário de tecnologia da ASPPIR, ele me disse ter ficado impressionado com a história sobre a perseguição aos bahá’ís do Irã, e que ele depois foi assistir o vídeo 300 Mil Vozes e ficou chocado com as imagens de violência na morte dos bahá’ís daquele país, então ele fez uma busca na internet e foi estudar sobre esta perseguição, e que na opinião pessoal dele a ONU precisaria tomar medidas mais enérgicas com relação à transgressão dos direitos humanos que acontecem aos bahá’ís no Irã, cortando todas as relações dos países com o governo do Irã, entre outros comentários que feito indignado com a história da perseguição dos bahá’ís do Irã.


Coordenadores do evento:
Grupo de Trabalho pela Paz da prefeitura de Goiânia

*José Eduardo da Silva - Assessor de Promoção da Igualdade Racial
*Joelma Cristina Gomes– Chefe de Gabinete
*Neuza Maria – Coordenadora do Programa de ações afirmativas
*Cláudio Roberto dos Santos – Assessor de Comunicação
*Carlos César Cunha – Secretário
*Manoela Augusta da Silva - Assessora de Comunicação
*Donizete – Secretário do Programa de Ações Afirmativas
*Catarina Cavalcante de Jesus- Membro do GT da Paz e da URI - Goiás-Iniciativa das Religiões Unidas.

Instituições coordenadoras e apoiadoras do evento:

-Grupo de Trabalho pela Paz da Prefeitura de Goiânia
-Comitê Gestor de Direitos Humanos
-Assessoria Especial de Políticas para Igualdade Racial da Prefeitura de Goiânia
- (APNs) Agentes de Pastoral Negros
-CENEG Centro de Cidadania Negra do Estado de Goiás
-Coordenação Nacional de Entidades Negras
-CACUNE Casa de Cultura e comunidades Negras de Goiânia e Góias
-Ordem dos Advogados do Brasil em Goiânia
-Fórum Goiano de Mulheres
-Comissão de Direitos Humanos da OAB de Goiânia
-URI-GOIÁS Iniciativa das Religiões Unidas
-CONAMAD-FAMA Assessoria de Comunicação das Mulheres Evangélicas da (Assembléia de Deus)
-Representação do Conselho do Parlamento Mundial da Paz
- Grupo de Mulheres Negras Malunga
- Maçonaria Grande Oriente de Goiás
-Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo
-Secretaria Municipal de Esporte e Lazer
-CONEN – Coordenação de Entidades Negras
-UNIPAZ-Goiás
-CANBENAS Coletivo de Estudantes Negras/os Beatriz Nascimento
-Nação Maria Retalho
-CONEN Coordenação Nacional de Entidades Negras
CEEDH-GO Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos de Goiás
-Secretaria de Combate ao Racismo do Partido dos Trabalhadores
-Associação de Mulheres Deficientes Surdas e Mudas do Estado de Goiás
-IFÁ Instituto de Pesquisa Herdeiros de IFÁ
-AJAH Associação de Jovens e Adolescentes pela Habitação
-Grupo de Mulheres Negras Dandara do Cerrado
-Associação Pró- melhoramento do Setor Estrela Dalva em Goiânia

*Agradecimentos especiais a todos os que se dedicaram com carinho e esmero na organização do evento:

*José Eduardo da Silva - Assessor de Promoção da Igualdade Racial
*Joelma Cristina Gomes– Chefe de Gabinete
*Neuza Maria – Coordenadora do Programa de ações afirmativas
*Cláudio Roberto dos Santos – Assessor de Comunicação
*Carlos César Cunha – Secretário
*Manoela Augusta da Silva - Assessora de Comunicação
*Valkíria Fernandes de Carvalho

Entre pessoas representantes de instituições, sociedade civil e funcionários de outras áreas da Prefeitura de Goiânia, costa registrados nesta carta ou na lista de assinaturas em anexo, em defesa dos bahá’ís no Irã, foram cerca de 50 participantes pelo Ato Público de Solidariedade pela Vida dos Bahá’ís Presos no Irã.

Uma lista de assinaturas de instituições e pessoas da sociedade civil em defesa dos bahá’ís presos no Irã será anexada aos documentos que serão enviados para a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Goiânia, para o Parlamento Mundial da Paz, outros órgãos de Direitos Humanos.

A Carta de Repúdio à perseguição, sob todas as formas, aos Baháís do Irã, foi impressa para ser distribuída em outros seguimentos e reuniões da Prefeitura de Goiânia.


Atenciosamente,


Catarina Cavalcante de Jesus.
Membro Fundador da URI-Goiás
Membro do Grupo de Trabalho pela Paz da Prefeitura de Goiânia






"A terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos"
-Bahá'u'lláh-


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