19 de out de 2007

O BÁB, A PORTA DE ENTRADA DO REINO DE DEUS NA TERRA!


Báb

Siyyid ‘Ali-Muhammad (Persa: سيد علی ‌محمد‎ ) (20 de outubro de 1819 a 9 de julho de 1850), conhecido como o Báb (“A Porta”), foi o Profeta fundador da Fé Babí e precursor da Fé Bahá'í. Nasceu em Shíráz, Pérsia (atual Irã).

Aos vinte e cinco anos proclamou ser o Qá’im (ou Mihdí) “Aquele Que Se Levanta” prometido aos maometanos, cuja vinda introduziria uma nova era para a humanidade. Além de fundar uma religião independente, a fé Babí, o Báb afirmou que Sua principal missão era anunciar a manifestação de um Profeta ou Manifestante de Deus que brevemente se revelaria.

O Báb significa "A Porta" (Árabe: باب‎), título designado por Ele mesmo, simbolizando o período de transição de Sua Manifestação Àquele a quem brevemente surgiria, na qual O Báb denominava "Aquele que Deus tornará Manifesto".

Seis anos após Sua declaração, O Báb foi executado por tropas de fogo em Tabríz.

Entre seus principais títulos estão, "O Ponto Primaz" e o "Ponto do Bayán".

História

Infância e Juventude
Siyyid ‘Ali-Muhammad (O Báb) nasceu em 20 de outubro de 1819 em Shiráz, ao sul do Irã. Seu pai morreu quando Ele ainda era criança, sendo levado a viver sob os cuidados do tio materno, comerciante de Shiráz, que O criou e colocou-O na escola em tenra idade. [2][3] Aos quinze anos entrou no comércio, tendo abandonado a escola devido ao fato de que, de acordo com vários autores, Seu professor se queixava com Seu tio de que Ele não precisava de escola.[4] Casou-se aos 22 anos com Khadíjih-Bagum, que tiveram um filho Ahmad, que morreu ainda quando criança.

Era um Siyyid, descendente de Muhammad (Maomé).


A Procura do Prometido
Em 1790 na Pérsia, um movimento iniciado por Shaykh Ahmad, aguardava a vinda do esperado Qá'im dos muçulmanos, também chamado Mihdí. Depois da morte de Shaykh Ahmad, a liderança passou para Siyyid Kázim, ficando encarregado de guiar Seus discípulos ao Prometido. Siyyid Kázim possuía muitos seguidores, e sempre lhes dizia que a vinda do Prometido estava próxima. Mullá Husayn foi um dos mais notáveis de seus seguidores. Pouco antes de morrer, Siyyid Kázim deixou algumas instruções a seus seguidores, de que deixassem seus lares e se espalhassem a procura do Prometido.

Mullá Husayn ao chegar em Shiráz foi recebido por um jovem, que mais tarde afirmou para ele ser o Prometido, o Qa'ím aguardado pelos muçulmanos, e o anúncio da vinda de uma Mensageiro maior que Ele próprio, ao se declarar se intitulou como O Báb "A porta".

Mullá Husayn foi então o primeiro a abraçar a Fé Babí.

Letras do Vivente
Antes de proclamar abertamente Sua missão, O Báb aguardava por 18 pessoas que espontâneamente o procurassem e o aceitassem como o Prometido, esses primeiros discípulos foram denominados como "Letras do Vivente".

Entre eles estava uma mulher, Táhirih, que aceitou O Báb sem nunca ter chegado a encontrá-Lo. Teria ela O visto através de um sonho.

Quddús foi o 18º a reconhecê-Lo.

Após estas 18 declarações, O Báb os instruiu a espalharem essa Nova Fé.

Perseguição
A Mensagem do Báb causou grande repercussão, e tanto Ele quanto seus seguidores foram alvos de perseguição e violências. Diversos expositores afirmam que os Mullás (pessoas eminentes da época), acreditavam que quando o Qai´m esperado pelos muçulmanos viessem, conseguiriam alcançar um poder maior. O que O Báb ensinava, entretanto, rompia as velhas barreiras e princípios que vigoravam no governo Persa, do qual predominava a corrupção em todos os setores dessa sociedade. A situação do Irã no final do século 19 era abominada por muitos Europeus que por lá passaram, deixando registros sobre a decadência de tal civilização. Não havia dúvidas, que o objetivo era exterminar a Fé Babí.


Santuário do Báb em Haifa, Israel.O Báb foi aprisionado em vários locais, sendo finalmente fuzilado em Tabríz, em 1850, por um pelotão de 750 soldados. Após sua morte, mais de 20.000 de seus seguidores foram martirizados.





História da Execução

Ordens para matar o Báb.
As forças do Sháh e os membros do clero sofriam derrotas humilhantes pelo país inteiro, foi então que o primeiro ministro, Mírza Taqí Khán, resolveu atacar o próprio chefe da Fé, ordenou então que o Báb fosse levado de Chiríq para Tabríz, contatou o governador sobre a transferência.

Três dias depois do Báb ser transferido para Tabríz, a ordem para matar o Báb foi enviada ao governador, que recusou imediatamente. Teria dito:"Esta é uma tarefa para o mais vil, quem sou eu para ser mandado matar um inocente descendente do nosso próprio Profeta?"

nota:O Báb era descendente da família de Baní-Háshim, que era da família de Maomé, e através de Ismael do Próprio Abraão.

O primeiro ministro então ordenou o próprio irmão, Mirzá Hasan Khán, a cumprir as ordens de executar o Báb. O irmão mandou então que transferissem o Báb para a cela da morte nos quartéis da cidade. Ordenou a Sam Khán, chefe do regimento de execução, que posicionasse dez guardas especiais, do lado de fora da cela do Báb.[8]


Muhammad 'Alí (Annís)
Quando O Báb estava sendo levado pelo pátio à cela, um rapaz de 18 anos saiu da multidão e correu a seu encontro, e arremessando-se aos pés do Báb disse: "Não me afastes de Ti, ó Mestre, aonde Tu fores, deixa-me ir Contigo."[8] O Báb sorriu-lhe e respondeu:"Levanta, Muhammad 'Alí, e fica convicto que tu estarás em Minha companhia. Amanhã testemunharás o que Deus decretou."

Este jovem foi preso na mesma cela que o Báb e condenado à morte com Ele - este jovem é conhecido como Annís, havia conhecido a Fé do Báb quando Este passou por Tabríz pela primeira vez.

Na noite anterior ao martírio do Báb, Siyyid Husayn, uma testemunha, deixou o seguinte relato: "Indiferente à tempestade que rugia ao Seu redor, conversava conosco e animava-nos alegremente. As tristezas que tanto pesar Lhe causaram pareciam ter sumido completamente."


Dia da Execução
Na manhã seguinte, enquanto os doutores da lei autorizavam a execução, assinando o decreto de morte, o Báb estava mantendo uma conversa confidencial com Siyyid Husayn, um de Seus discípulos que havia servido como Seu secretário. O Báb dava-lhe instruções. O chefe da guarda o interrompeu neste momento, e insistiu que o Báb partisse imediatamente. O Báb virou-Se para ele censurando-o severamente, afirmou que até que Ele tenha dito todas as coisas que deseja, nenhum poder na terra O poderia silenciar.

Surpreso, o chefe da guarda porém, insistiu que o Báb o acompanhasse sem demora - interrompendo a conversa com Husayn.

O chefe da guarda entregou o Báb nas mãos de Sam Khán, líder do regimento, para realizar a execução. Sam Khán, porém, agitado pela ação que deveria realizar e pelo comportamento do Báb, aproximou-se Dele e em particular disse: "Eu sou cristão, e nada tenho contra Tua pessoa. Se Tua causa for verdadeira, livra-me então da obrigação de derramar o Teu sangue." O Báb então orientou-o a seguir suas obrigações:"Siga tuas instruções e se de fato fores sincero, o Todo Poderoso certamente livrar-te-á de tuas perplexidades."

O Báb e Seu companheiro, Muhammad-'Alí, então foram pendurados por cordas no pilar entre as portas do quartel. Muhammad implorou a Sam Khán que o colocasse de forma que seu próprio corpo servisse como escudo para o corpo do Báb. Ele foi erguido e sua cabeça pousou sobre o peito do Báb.

O Journal Asiatique relata: "O Báb permaneceu silencioso. Seu belo pálido rosto... seu aspecto, suas maneiras refinadas, suas mãos brancas e delicadas, suas roupas simples, porém muito asseadas - tudo n'Ele despertava simpatia e compaixão."


Primeira ordem para abrir fogo
Cerca de 10.000 (dez mil) pessoas estava presentes na praça, sendo que muitos se esforçavam para assistir à execução nos telhados das casas em volta. Muitos autores expressam o fato de que aquelas pessoas estavam esperando qualquer sinal de milagre para mudar suas atitudes hostis, procuravam drama, mas o Báb os estava decepcionando.

Depois de terem sido amarrados no pilar, o regimento de soldados se posicionaram em três fileiras, cada uma com 250 homens.

Foi então dada a ordem, cada fileira abriu fogo por sua vez, até que todo o regimento tivesse descarregado suas balas no Báb e em seu companheiro.


Desaparecimento do Báb
Um dos relatos históricos daquele momento: "A fumaça da descarga de 750 rifles foi tanta que escureceu a luz do sol do meio-dia. Assim que a nuvem de fumaça dissipou-se, a multidão estupefata olhava para uma cena que seus olhos mal podiam acreditar. Lá, de pé, em frente deles, vivo e sem nenhum ferimento estava o jovem, enquanto que o Báb, havia desaparecido de suas vistas. Apesar de que as cordas os suspendiam estivessem feitas em tiras pelas balas, seus corpos no entanto, haviam miraculosamente saído ilesos."

A multidão se agitou frente ao fato ocorrido, tornando-se perigosa. A procura pelo Báb se tornou frenética.

M.C. Huart, um autor francês que escreveu sobre o episódio, descreve: "Para acalmar a frenética multidão, que naquela agitação já acreditava nas reivindicações de uma religião que estava demonstrando sua verdade, os soldados mostravam as cordas despedaçadas pelas balas, querendo provar que na verdade, nenhum milagre havia acontecido." O mesmo autor dá sua interpretação sobre esse acontecimento:"Inacreditavelmente, as balas não tocaram no condenado mas ao contrário, arrebentaram as cordas e ele ficou livre. Foi realmente um milagre."

A.L.M. Nicolas escreveu sobre o episódio: "Algo extraordinário aconteceu, único nos anais da história da humanidade: as balas cortaram as cordas que seguravam o Báb e Ele caiu de pé, sem nenhum arranhão."

A procura pelo Báb terminou a poucos metros do pilar de execução. Acharam-No de volta à cela do quartel, terminando Sua conversa com o secretário Siyyid Husayn. O Báb teria olhado para o chefe dos guardas e dito: "Eu terminei minha conversa. Podes agora cumprir com o teu dever."

Segunda ordem para abrir fogo
Sam Khán, ordenou que seu regimento saísse, pois não queria mais continuar com aquela tarefa em vista dos fatos ocorridos. Um novo esquadrão então foi organizado por um coronel que se voluntariou para levar em frente a execução.

O Báb e Seu companheiro foram novamente amarrados e o novo regimento preparava-se para atirar. Dessa vez as balas acertaram o alvo.

O martírio do Báb ocorreu ao meio dia, no dia 9 de julho de 1850, trinta anos após Seu nascimento em Shiráz.

Sucessão
Em 1863, Mírzá Husayn ‘Ali (1817-1892), conhecido como Bahá’u’lláh (“A Glória de Deus”), um dos mais destacados discípulos do Báb, proclamou ser “Aquele Que Deus Tornará Manifesto”, o grande manifestante de Deus anunciado pelo Báb e pelos manifestantes do passado.

Quase a totalidade dos seguidores do Báb abraçou a nova revelação, passando a denominar-se Bahá'ís.

O sepulcro do Báb fica em Haifa, na Terra Santa, no centro mundial da Fé Bahá’í.


Ensinamentos
Os ensinamentos do Báb enfatizavam a interpretação não-literal das profecias e estabeleciam o conceito de que todas as religiões reveladas foram transmitidas por Deus à humanidade, adaptadas para a época em que surgiram. Também ensinava a igualdade de direitos para os homens e mulheres e condenava os preconceitos.


Referências
↑ O Báb - Seleção dos Escritos do Báb
↑ Esslemont, John E. Bahá'u'lláh e a Nova Era (nova era não tem ligação a movimento de nome semelhante)
↑ Fé Bahá'í - O Báb, visitado a 22/12/2006
↑ Em algumas referências já citadas, diz o professor: ".. A doçura de Sua expressão ainda se detém em minha memória. Senti-me impelido a levá-Lo de volta a Seu tio, a entregar em suas mãos a incumbência que havia confiado a meus cuidados. Estava decidido a lhe dizer quanto me sentia indigno de educar um menino tão extraordinário."
↑ ((en))Wikipédia(O Báb)
↑ 6,0 6,1 Sears, William (1998) Que Brilhe o Sol (Release the Sun)ISBN 8532000355
↑ Nabíl, Os Rompedores da Alvorada, vol. II, p. 244-247
↑ 8,0 8,1 8,2 8,3 Sears, William, Que brilhe o Sol, Vol. II, p.186
↑ Nabíl, Os Rompedores da Alvorada, vol. II, p. 251
↑ Op. Cit. pág. 190
↑ Op. Cit. pág. 192
↑ Nabíl, Os Rompedores da Alvorada, vol. II, p. 181
↑ Journal Asiatique, 1866, livro 7, p. 378
↑ Nabíl, Os Rompedores da Alvorada, vol. II, p. 255-257
↑ A.L.M. Nicolas, Siyyid 'Alí-Muhammad dit le Báb, p. 375

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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