9 de set de 2007

NEW YORK 14/8/2004 14:32:57


Estudantes prestando provas para o vestibular no Irã. entre os bahá'ís foram todos reprovados, mesmo alcanaçando as maiores classificações.



Nova manobra do Governo Iraniano para privar estudantes bahá'ís de acesso ao ensino superior. Cerca de mil estudantes receberam ultimato de se registrarem como muçulmanos ou ficarem fora das universidades.


NOVA YORK – Em outra clara violação dos direitos humanos aos bahá'ís no Irã, cerca de mil estudantes bahá'ís em idade universitária, receberam a intimação de que devem identificar-se como muçulmanos para poderem ingressar este ano nas universidades oficiais do país – foi a informação recebida pela Comunidade Internacional Bahá'í.

Representantes da Comunidade Internacional Bahá'í souberam ontem desta ação, que envolve a pré-impressão da palavra “Islã” no campo referente à religião do candidato no resultado da seleção para ingresso nas faculdades nacionais, distribuído aos estudantes recentemente.

Isto ocorre após terem os estudantes bahá'ís sido levados a acreditar, através de pronunciamentos do Governo Iraniano na mídia e em afirmativas particulares, que não haveria questão referente a sua religião nos formulários de ingresso à universidade este ano no Irã.

“O Governo iraniano, na verdade, está tentando forçar os jovens bahá'ís a renegarem sua fé, se desejarem ingressar na universidade”, afirma Bani Dugal, representante oficial da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas.

“Esta ação vai contra todas as afirmativas que o Irã tem feito à comunidade internacional com relação à sua intenção de respeitar a liberdade religiosa e, de fato, contraria também os convênios internacionais sobre direitos humanos dos quais o Irã é signatário,” acrescentou a Sra. Dugal.

Já há mais de vinte anos os bahá'ís foram banidos das instituições de ensino superior unicamente por razões religiosas – uma violação que tem sido condenada em inúmeros fóruns internacionais sobre direitos humanos.

Esta atitude adotada pelo governo iraniano efetivamente amplia tal banimento, porquanto é fato reconhecido que os bahá'ís, por questão de princípio, não renegam sua Fé.

No passado, os formulários de ingresso exigiam que os candidatos se registrassem como seguidores de uma das únicas quatro religiões que têm reconhecimento oficial no Irã – o Islamismo, o Cristianismo, o Judaísmo ou o Zoroastrismo. Sendo estas as únicas escolhas possíveis, os bahá'ís, que se recusam a mentir sobre sua afiliação religiosa, ficavam excluídos das universidades.

Este ano, os formulários para os exames não continham o ítem referente à afiliação religiosa dos candidatos. Em vez disso, os candidatos precisavam apenas designar em qual das quatro religiões reconhecidas - Islã, Cristianismo, Judaísmo ou Zoroastrismo – escolheriam ser examinados como parte da seleção para ingressar na universidade.

Representantes da comunidade bahá'í foram assegurados de que, selecionando o Islã como matéria para os exames, isso não indicaria que os estudantes eram membros daquela Fé.

Entretanto, de acordo com relatos agora recebidos do Irã, depois que os estudantes bahá'ís fizeram os exames, as autoridades estão dizendo que este ato significa de facto uma declaração de Fé no Islã.

Nesse sentido, os estudantes bahá'ís estão sendo impedidos de entrar na universidade, já que tal aceitação significaria uma renúncia oficial à sua fé, e seria utilizado pelas autoridades como evidência de tal renúncia.

“Por mais de um ano, o Governo iraniano manteve a promessa de que os bahá'ís poderiam, pela primeira vez em cerca de vinte anos, ter acesso ao ingresso às instituições oficiais de ensino superior”, esclareceu a Sra. Dugal.

“Porém, agora, em uma atitude totalmente divergente de suas afirmativas, o Governo está dizendo: 'Vocês podem vir, mas precisam fingir que são muçulmanos'. Isso é algo que os bahá'ís não fazem. E o Governo iraniano sabe muito bem disto.”

A Comunidade Bahá'í no Irã, com cerca de 350 mil membros, é a maior minoria religiosa naquele país. Desde 1979, com a instalação da Revolução Islâmica, mais de duzentos bahá'ís foram mortos, centenas foram presos e milhares tiveram negado acesso à educação, emprego e outros direitos, em uma seqüência de episódios que demonstram tratar-se efetivamente de uma sistemática perseguição religiosa.
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Fonte:Ocean Library

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