23 de set de 2007

Relatório da palestra proferida por Michel de Paula na Universidade Salgado Oliveira, (UNIVERSO) em 18/09/07 pela XXIV Semana Bahá'í de Goiânia pela Paz.

Relatório da palestra proferida por Michel de Paula na Universidade Salgado de Oliveira, (UNIVERSO) em 18/09/07 pela XXIV Semana Bahá'í de Goiânia pela Paz.

Tema: Paz e Unidade na Diversidade do Mundo.
Disciplina de Ética, Valores Humanos e Transdiciplinaridade dentro dos Princípios da Fé Bahá’í.
Palestrante: Michel de Paula.
Hora: 08h30min às 09h30minh

Michel impressionou a professora e coordenadora do programa UNIVERSO DA PAZ, Rosa Maria Viana, para cerca de 40 alunos do curso de Designer de Modas e aos membros da Comunidade Bahá'í que estavam presentes na palestra, pela sua grande sabedoria e conhecimentos profundos dos assuntos da história antiga a atual que abordam o tema da PAZ MUNDIAL, no contexto e visão de grandes filósofos e sábios da humanidade, como Mahatman Ghandi que disse" Seja voce a Paz que deseja ver no mundo", e outros homens que trabalharam pelo estabelecimento da paz entre as nações, e que vários deles viram seus planos fracassarem ou eles mesmos entraram em contradição com suas idéias X Fé Bahá'í e a Paz Mundial na visão de Bahá’u’lláh, ‘Abdu l-Bahá e Shogui Effendi.

Antes mesmo de Michel terminar sua fala, seu material sobre PAZ E UNIDADE NA DIVERSIDADE DO MUNDO, foi solicitado por, Rosa Maria Viana, professora de administração e coordenadora do programa UNIVERSO DA PAZ, e por alunos que se interessou em estudar o trabalho feito pelo jovem Michel, muitos contatos foram feitos, inclusive teve uma aluna, Sra. Luciane ( As fotos já foram enviadas) Rodrigues, que pediu para que enviássemos as fotos dos Jardins Suspensos de Haifa, após ver o álbum de fotos da Terra Santa-Israel; (levado por Dona Zia e Orenita, para que os alunos pudessem conhecer os jardins suspensos de Haifa), para ela seus colegas, possam preparar uma exposição de Disigners que fará parte dos trabalhos que realizarão em seu curso de Designer de Modas, na Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO).

O trabalho foi apresentado através de Power Point, preparado por Michel de Paula; membro da Assembléia Espiritual de Aparecida de Goiânia e do Comitê de Ensino de Área, do Agrupamento Goyazes.

Ao final da palestra Aluísio Acosta falou sobre a fundação da Fé Bahá’í, por Bahá’u’lláh e com órgão consultivo na ONU, das atividades feitas no mundo, pela Comunidade Internacional e também sobre o Monumento à Paz em Goiânia em 1984, fundado por Siron Franco, bahá’í e artista plástico. Foram distribuídos os folhetos de informações sobre a Fé Bahá’í e a comunidade.


Material de Power Point, preparado e apresentado por Michel de Paula:


Tema da palestra:

Paz e Unidade na Diversidade do Mundo.
Disciplina de Ética, Valores Humanos e Transdiciplinaridade dentro dos Princípios da Fé Bahá’í.



Esquema da Palestra apresentada no dia 18 de Setembro de 2007
Michel de Paula da Silveira - Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Goiás.

Parte 1-

Esforços pela Paz em âmbito Internacional

Immanuel Kant, Paz Perpetua-1795

Seu objetivo principal era esclarecer para os governantes a imperativa necessidade de se desenvolver um ambiente de Paz entre os Estados. Para tanto ele elabora o documento intitulado Paz Perpétua.

Dentre os Artigos Preliminares para Paz Perpetua destaca-se:

Segundo Artigo da Seção Primeira, “nenhum Estado independente (grande ou pequeno) poderá ser adquirido por outro mediante herança, troca, compra ou doação” O estado segundo Kant é pessoa moral, portanto tratá-lo como propriedade e sujeito a possibilidade de ser anexado a algum outro seria inadmissível.

O Terceiro Artigo
da Seção Primeira, “os exércitos permanentes (miles perpetus) devem, com o tempo, desaparecer totalmente.


Dentre os Artigos Definitivos para Paz Perpetua destaca-se:

O Primeiro Artigo Definitivo para a paz perpétua é que “a constituição civil em cada Estado deve ser republicana”. Kant coloca que essa constituição é a mais adequada, pois propicia as condições ideais para um projeto de paz perpétua.

O Segundo Artigo Definitivo é “o direito das gentes deve fundar-se numa federação de Estados livres”, nesse item Kant demonstra que é imprescindível, para que se haja paz perpétua um mecanismo que possa unir os Estados de um modo a evitar todo tipo de contenda que possa surgir.

Conclusão impressionante de Kant:
Os Estados com relações recíprocas entre si não tem, segundo a razão, outro remédio para sair da situação sem leis, que encerra simplesmente a guerra, senão o de consentir leis públicas coactivas (do mesmo modo que os homens singulares entreguem a sua liberdade selvagem sem leis), e formar um Estado de povos (civitas gentium), que (sempre é claro, em aumento) englobaria por fim todos os povos da Terra.



Woodrow Wilson e a Liga das Nações

Pós-Primeira Guerra Mundial, a Primeira experiência de Associação entre Nações, Thomas Woodrow Wilson Sucessor de Delano Roosevelt na Presidência dos Estados Unidos foi ator principal no desenvolvimento da Liga das Nações.
Em seu discurso ao Congresso americano, em 8 de Janeiro de 1918, Wilson discursou sobre a construção da Paz após o fim da 1ª Guerra Mundial.

Nessa ocasião cujo discurso ficou conhecido como os “Quatorze Pontos de Wilson”, seu ultimo ponto, e mais relevante continha, em suas palavras:

XIV. Urge formar-se uma associação geral de nações, sob acórdãos específicos, com o propósito de oferecer garantias mútuas de independência política e integridade territorial tanto aos Estados grandes quantos aos pequenos.



A Liga das Nações na Visão de Martin Wight tinha quatro elementos principais

Primeiro, a Resolução Pacifica das Disputas.
Segundo elemento, o Desarmamento.
Terceiro, a Segurança Coletiva, substituindo o equilíbrio de poder.
Quarto elemento, a Mudança Pacífica.



Grandes Dificuldades enfrentadas por Wilson:

Erradicação do Equilíbrio Europeu
A Europa encontrava-se viciada, o equilíbrio europeu, um dos grandes causadores da 1° GM ainda estava fortemente arraigada as deliberações políticas dos Estados vencedores, principalmente da França a qual desejava a total aniquilação do Estado Alemão.
Os Estados Europeus viam com desdém e desconfiança a figura dos EUA, Estado que acabava de sair do anonimato internacional e que agora assumia liderança em âmbito europeu.

Postura Histórica dos Estados Unidos
De fato, o histórico dos EUA é de total isolacionismo, estava intimamente interligado a mentalidade de seu povo e este fato acabou levando o Congresso Americano a vetar a participação dos Estados Unidos na Liga das Nações.


Essa dificuldade de se operacionalizar a Liga das Nações levou a Europa a uma letargia que culminou em uma catástrofe ainda maior, a Segunda Guerra Mundial.

Pós Segunda Guerra Mundial, Organização das Nações Unidas
O massacre provido pela Segunda Grande Guerra despertou novamente as Nações para a urgência de se formular uma associação sólida entre os Estados, com vistas a impedir que as recentes catástrofes voltem a operar.
Assim em 24 de Outubro de 1945 a Organização das Nações Unidas é criada, composta inicialmente de 51 Estados-Membros e que agora aproxima-se de 200.
O artigo um do capitulo primeiro da Carta de São Francisco prega que:

Manter a paz e a segurança internacional e, para esse fim: tomar, coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz.

O Órgão mais relevante das Nações Unidas, o Conselho de Segurança, Cujos membros permanentes dotados de veto são: China, França, Reino Unido, Estados Unidos e Rússia.
É nesse ponto que o mecanismo das Nações Unidas se engasga, a incoerência brutal entre o “principio da igualdade soberana entre todos os seus Membros” (STRENGER, 1998), prevista no artigo dois e “a fórmula de veto assim consagrada em favor dos cinco grandes” que era “na época condição sine qua non da sua participação” (LAMBERT, 2004).
O período subseqüente da criação da ONU foi demonstração exata dessa gritante incoerência e também prova de fogo contra as Nações Unidas, inicia-se a Guerra Fria.

Guerra Fria e o “Congelamento” da Paz

O período subseqüente do final da 2° GM (1945) e que se estendeu ate a extinção da URSS em 1991, conhecido como Guerra Fria, foi caracterizado pela queda-de-braço entre os EUA e a URSS, esses dois Estados que possuíam o direito absoluto do veto no Conselho de Segurança, veto esse que travou todo o sistema das Nações Unidas, visto que quando uma deliberação afetava a URSS ou um dos aliados do Bloco Socialista ela vetava o procedimento e vice versa.
A ONU se tornou mero joguete nas mãos dos encabeçadores de ambos os Blocos, um golpe fulminante nas bases de uma Instituição que acabava de nascer. No inicio da década de 90, com o fim da quase tangível Bipolaridade. A ONU viu a oportunidade de se reestabilizar.


Pós Guerra Fria: Uma Agenda para a Paz
Boutros Boutros-Ghali, então Secretario Geral da ONU, formulou em 1992, o documento Uma Agenda para a Paz, que visava a fortificar a Instituição, suprir suas debilidades e torná-la apta aos novos desafios.
Quatro novas terminologias introduzidas por Ghali:

Preventive Diplomacy
Peacemaking
Peace-keeping
Post-conflict peace-building

Apesar dos esforços o que percebemos é ainda uma grande debilidade por parte da Instituição de cumprir sua proposta primaria, sob a qual fora criada, de assegurar Paz entre as nações, debilidade essas que se exemplifica no triste episodio da invasão americana no Iraque.
O principal desafio é eliminar a ainda visível ligação com as velhas formas de poder, cujos objetivos nunca foram a prosperidade comum e sim o interesse unitário do Estado, ator absoluto cuja vontade é suprema, esse paradoxo deixa a conjuntura internacional em um meio termo, entre a o individual e o coletivo, impasse esse que tem se demonstrado letal para os mais fracos e manipuladamente benéfico para os mais fortes, condição essa que sempre operou nas relações internacionais e que só providenciou horrores coletivos a humanidade.

Reflexão sobre a conjuntura atual do Globo e os esforços de um século para Paz. Onde chegamos?


Parte 2-

Unidade como imprescindível para a Paz

Principio Maior da Fé Bahá’í - Unidade do Gênero Humano

Bahá’u’lláh considerou a concretização da unidade orgânica da inteira raça humana o propósito de Sua Revelação. Esta Unidade condiz com o estagio da maturidade da humanidade, e conclama à conscientização de que todos os povos foram criados por um só Criador e que nós todos pertencemos a um só lar. As diferenças de cor e raça são como diferenças de flores num jardim. Elas devem ser a causa de beleza e encanto em vez de conflito e separação.

Nas palavras de Bahá’u’lláh:
“... Só desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações;... Que todas as nações se unam em uma mesma fé e todos os homens se tornem irmãos; que os laços de unidade e afeição entre os filhos dos homens sejam fortalecidos; que cesse a diversidade de religião, e as diferenças de raça sejam anuladas...”.

Unidade da Humanidade


Nas palavras de Shogui Effendi, bisneto de Bahá’u’lláh:
“A unificação da humanidade inteira é o distintivo da etapa da qual a sociedade humana atualmente se aproxima. A unidade de família, de tribo, de cidade-estado e de nação foram sucessivamente tentadas e completamente estabelecidas”


Unidade da Religião

KHISNA (Induísmo):
“As flores nos altares são de muitas variedades, mas a adoração é uma só. Os sistemas de Fé são distintos, mas Deus é um só. O objetivo de toda religião é encontrar a Deus.” Vemana Padymula

BUDA (Budismo):
“Jamais penseis ou digas que tua religião é a melhor. Jamais menosprezes a religião dos outros” Editos de Asoka

MOISÉS (Judaismo):
“E quando o estrangeiro peregrinar contigo em vossa terra, não o oprimireis. Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiro fostes na terra do Egito; Eu sou o Senhor vosso Deus” Levítico 19:33-4

JESUS CRISTO ( Cristianismo):
“...amardes os que vos amam,... Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais?” S.Mateus 5:44-8

MAOMÉ (Islamismo):
“Os crentes (muçulmanos), os judeus, os cristãos e os sabeus, enfim, todos os que crêem em Deus, no Dia do Juízo Final e praticam o bem, receberão sua recompensa de Seu Senhor e não serão presas do temor, nem se atribularão.” Alcorão 2:62

BAHÁ’U’LLÁH (Fé Bahá’í ):
“Vós habitais em um só mundos e fostes criados mediante a operação de uma só vontade. Bem-aventurado quem se associa a todos os homens em espírito de perfeita bondade e amor.” Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh CLVI

Maturidade da Humanidade

Nas palavras de ‘Abdu’l-Bahá, filho de Bahá’u’lláh :
“A Humanidade já emergiu de seu estado antigo de limitação e treino preliminar. O homem agora deve imbuir-se de novos poderes e virtudes, novos padrões morais e novas capacidades.”

Unidade na Diversidade

Bahá’u’lláh diz:
“Sois os frutos de uma só arvore e as folhas de um mesmo ramo”. A humanidade é como uma arvore. Todas as raças, negra, vermelha, branca e amarela são todas folhas da mesma arvore. Devemos tornar-nos unidos, pois “tão potente é a luz da unidade que pode iluminar a terra inteira.”.

Unidade Mundial

Nas palavras de ‘Abdu’l-Bahá, filho de Bahá’u’lláh :
“Todas as nações e raças hão de se tornar uma só nação. Serão eliminados os antagonismos entre religiões e seitas, a hostilidade entre raças e povos e as diferenças entre nações. Todos os homens aderirão a uma única religião, terão uma fé comum, fundir-se-ão numa mesma raça e se tornarão um só povo. Todos viverão numa pátria comum que é o próprio planeta.”

Unidade de Deus

Bahá’u’lláh diz:
“Volvei a face à unidade e deixai brilhar sobre vos o esplendor de sua luz. Uni-vos, e por amor a Deus resolvei extirpar qualquer coisa que motive conflito entre vós...Não pode haver dúvida alguma de que os povos do mundo, qualquer quês seja sua raça ou religião, colhem inspiração de uma só Fonte Celestial e são súditos de um só Deus.”

Paz Mundial

A Casa Universal de Justiça em sua mensagem sobre a Paz, dirigida aos povos do mundo, diz:
“A grande Paz - para a qual as pessoas de boa vontade inclinaram seus corações através dos séculos, acerca da qual incontáveis gerações de profetas e poetas expressaram suas visões, e cuja promessa foi, ao longo das eras, continuamente reafirmada nas escrituras sagradas da humanidade – encontrara-se agora, finalmente ao alcance das nações.”

Bahá’u’lláh diz:
“... É homem verdadeiramente quem hoje se dedica ao serviço a humanidade inteira. ...Não se vanglorie quem ama a pátria mas sim quem ama o mundo inteiro. A terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos.”

“O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança são irrealizáveis a não ser que primeiro, se estabeleça firmemente sua unidade”


Enviado por:
Catarina Cavalcante de Jesus
Secretária de correspondência da Comunidade de Goiânia.

"A terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos"
-Bahá'u'lláh-

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